quinta-feira, 10 de maio de 2012

Denúncia contra Projeto Tamar segue sob segredo de Justiça


SÓ PARA CONHECIMENTO.



Denúncia contra Projeto Tamar segue sob segredo de Justiça
Cerca de um mês após divulgação de um suposto esquema de corrupção envolvendo o Projeto Tamar, a Ação Civil Pública, proposta pela Advocacia Geral da União (AGU), segue em tramitação na Justiça Federal. A Fundação é acusada de ter contratado os serviços de um integrante do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e um advogado para fraudar documentos e conseguir o direito de ser filantrópica, isentando-se, assim, de impostos.

Em defesa, o Tamar negou envolvimento na acusação e garantiu que as certidões de legalidade e os impostos que cabem à instituição estão em dia.

Inicialmente publicada no site Papel Social, a denúncia revela fraudes e irregularidades na concessão do título de entidade de assistência social. Após gravações de conversas telefônicas e documentos apreendidos na Operação Fariseu, realizada pela Polícia, Receita e Ministério Público Federal em 2005, dois consultores da CNAS, contratados pelo Projeto Tamar, foram presos, em 2008, e a AGU pediu bloqueio dos bens, certificado de filantropia e a condenação da entidade por improbidade administrativa. 
Uma das principais provas contra o Projeto seria uma carta enviada por um dos consultores ao então diretor da Fundação Tamar, Victor Partiri, na qual o conteúdo afirmava que “o Tamar, por si só, não pratica comprovadamente assistência social”. No mesmo documento, segundo informações do jornalista investigativo Lúcio Lambranho, o conselheiro indica como deveria ser a transformação para conseguir o certificado.
Diante das acusações, o Projeto Tamar publicou carta de repúdio às acusações e explicou que “reconhecidas como de utilidade pública em níveis municipal, estadual e federal, e inscritas desde 2000 no Conselho Municipal de Assistência Social da sede de seu município (Mata de São João/BA), as práticas do Tamar legitimam, assim, a postulação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, feita em 2006.”

Em relação à contratação do conselheiro do CNAS, o Tamar explicou que “duas empresas de consultoria que já prestavam serviços dessa natureza a mais de 110 entidades foram contratadas, com total boa fé, para assessorar a formatação de relatórios e outros procedimentos administrativos necessários à sustentação do pedido da Fundação Pró-Tamar junto ao Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS)”. 
Sobre a suposta indicação de como conseguir o certificado, a instituição afirmou que “o planejamento elaborado pelos consultores incluía a adequação do Estatuto Social ao novo Código Civil e a reclassificação de dados contábeis, gerados a partir de ações concretas já desenvolvidas pela entidade, garantindo ainda mais transparência quanto à aplicação de verbas nos serviços de cunho social prestados pela Fundação.”

Acusação de irregularidades

De acordo com a ação, durante o período em que buscava a concessão de filantropia, o Tamar teria faturado mais de R$ 31 milhões com venda de brindes com a marca do projeto. Porém, o Projeto Tamar garantiu nunca ter usufruído de benefícios previdenciários e ter dado continuidade aos pagamentos do INSS, que, segundo ele, totaliza cerca de R$ 1,7 milhão anualmente.

A Tribuna tentou contato com o CNAS para mais esclarecimentos sobre o caso, mas não obteve êxito. Em nota, a assessoria da AGU confirmou o caso e explicou que a Ação Civil Pública foi proposta por ato de improbidade administrativa nº 48738-87.2010.4.01.3400, em face da Fundação Pró-Tamar e outros, em razão de irregularidades na concessão de Certificados de Entidades Beneficentes de Assistência Social - CEBAS. Porém, a AGU não pode fornecer mais informações ou conceder entrevista sobre o caso, pois o processo tramita sob segredo de Justiça.
Atenciosamente,
Assessoria de Comunicação
Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura no Estado da Bahia

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